Michele Daiana: A Tal da Fada Madrinha

A Tal da Fada Madrinha


As aparências não enganam. Nunca. A gente é que se engana. Cada um é o que é, de um jeito que agrade ou não a todos, que agrade ou não a você, essa é a verdade. Cada um mostra aquilo que quer, se você não percebeu de cara uma realidade, você então não foi enganada, você é que se enganou ou não quis perceber. Esse deve ser o mantra, a sacada genial, o lance no final do segundo tempo. Deve até existir alguma lenda misteriosa que nunca foi contada por aí onde a princesinha não cai no conto da bruxa má porque percebe prontamente que trata-se de uma cilada brusca, uma treta daquelas. Ela foi esperta. A lenda não foi espalhada por motivos óbvios: algumas pessoas ainda precisam ganhar na aparência, na primeira impressão, no jeitinho malandro.

A maioria das vezes em que entramos em uma situação que não nos agrada é por conta disso, da ansiedade em conhecer algo novo que aparentemente é bom, sedutor. Do jeito que você sempre quis. Na sua frente. Bingo! Cartas na mesa, comece o jogo. Sempre assim, previsível até. Nesse caso, as aparências enganaram ou você sabia onde estava se metendo e se deixou enganar? Se iludiu? Confessa, você tinha uma vaga idéia de que isso não ia dar certo. Isso pode ser qualquer coisa, seja um relacionamento ou uma tintura de cabelo, você sabia, você fez porque quis, porque apostou. Admiro as pessoas corajosas que apostam em tudo, que lutam com unhas e dentes pra conseguir o que querem e tudo mais, mas odeio vê-las quebrar a cara de vez em quando. Porque pessoas corajosas assim merecem lutar e conquistar aquilo que lhes faça bem, que promova alegria em suas vidas. Detesto ver gente querida quebrar a cara. Detesto mais ainda quando vejo que elas sabiam o que estavam fazendo e continuaram naquele errinho, que depois virou errão, que depois se tornou um monstro, algo de proporções bem maiores do que deveria.

Mas tudo começou ali, no primeiro passo, no primeiro risco, na primeira vontade. Me chame de careta, de louca, de qualquer coisa, mas não me venha com essa história de que você deve arriscar sim e sempre. Vamos ser realistas, vamos ser práticas, vamos ser maduras: arrisque, por aquilo que vale a pena, por aquilo que te dá duas opções. Se só há a chance de dar errado, você deve simplesmente parar, respirar e esquecer. Mesmo que seja aquilo que você sempre quis, porque até aquilo que você sempre quis pode te fazer mal um dia. E não vai ter a tal da fada madrinha pra te salvar disso não, vai ter que ser na cara e na coragem.

SOBRE A AUTORA: Aline Bérgamo dora falar (até demais), escrever e sonhar. Leia mais textos no seu blog: Nunca fui miss.


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