Michele Daiana: Para refletir: A MAIOR TRAGÉDIA DE NOSSAS VIDAS

Para refletir: A MAIOR TRAGÉDIA DE NOSSAS VIDAS



Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça.
 
A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta.
 
Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa.
 
A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013.
 
As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada.
 
Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa.
 
Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio.
 
Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda.
 
Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.

Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.
 
Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram.
 
Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo?
 
O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista.
 
A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.

Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.

Mais de duzentos e quarenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.

Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.
 
As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso.
 
Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.

As palavras perderam o sentido.

AUTOR: Fabricio Carpinejar é escritor, jornalista e professor universitário, autor de vinte e um livros, pai de dois filhos, um ouvinte declarado da chuva, um leitor apaixonado do sol.

Na noite de sábado para domingo, estava com meu namorado, não dormi naquela noite porque estava de mau com ele, por uma besteira. Logo cedo, ouvi do meu quarto o noticiário da televisão da cozinha e os comentário horrorizados da minha mãe, e pensei, qual é a tragédia deste domingo. No sábado mesmo, eu e meu namorado estávamos nos lamentando que queríamos estar numa festa, e não em casa. Quantos jovens em Santa Maria agradeceriam por não ter ido naquela balada. Sou gaúcha, e ver uma tragédia desta dimensão acontecer perto da gente, podendo haver familiares e amigos lá, nos dá um buraco no peito. E para os país, amigos e familiares das mais de 200 vitimas daquela tragédia, não posso nem imaginar a dor e o buraco que se instalou, para nunca mais ir embora. Lembrei das festas que eu vou, nunca parei para ver as saídas de emergência, na verdade, nós quando saímos só pensamos na diversão, nos sentimos intocáveis de qualquer tragédia. Quando na verdade, isso poderia acontecer com nós. A gente nunca sabe quando será o nosso ultimo dia, nem quando vamos perder uma pessoa tão querida próxima de nós. Triste que precisa acontecer este tipo de coisa para darmos mais valor para a nossa vida e a companhia de quem amamos. O RS está de luto, o Brasil está de luto, eu estou de Luto.

2 comentários:

  1. Oi, olha eu sou aqui de Manaus, mas eu queria dizer que também, estou de luto, mesmo muito longe isso me atingiu muito forte, eu só fui numa unica festinha dessas na minha vida, por que eu sou mais reservada, mas eu fiquei muito abalada, toda hora vendo algo sobre isso, eu já orei, e já pedi a Deus que poupe a vida dos sobreviventes, é algo muito triste mesmo.Eu queria expressar minhas condolências aos parentes e amigos, e aos gaúchos. Eu espero que tudo fique bem.
    Lola

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    1. Olá Lola, realmente não teve quem não se comovesse com essa tragédia. Sou gaucha e por sorte não tinha nenhum conhecido meu envolvido, mas realmente é impossível não sentir dor pelo acontecido...
      Obrigada pela visita querida!

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